segunda-feira, 28 de setembro de 2015

Curso de Extensão: História das Religiões Mediúnicas no Brasil

Sábados, de 17/10/2015 a 19/12/2015, 8h
Rua São Francisco Xavier, 524 - Maracanã, 9º andar, Bl F, Sala 9043 (Auditório da Pós-graduação)
Increva-se aqui, agora!
Vagas Limitadas!
 
 

Objetivos e Programa:

Possibilitar a compreensão da historicidade das Religiões Mediúnicas e sua inserção no Campo Religioso Brasileiro; Discutir as relações entre as Religiões Mediúnicas e os principais componentes do Campo Religioso Brasileiro; Oportunizar situações onde o aluno desenvolva a aplicação dos conhecimentos obtidos na disciplina em sua futura vivência profissional, como docente ou pesquisador.
 
Programa/ conteúdo programático: 
1. Religiões Mediúnicas
1.1 - Contextos Históricos
1.2 - Caracterizações do Campo Mediúnico Brasileiro
1.2.1 - O Espiritismo
1.2.2 - A Umbanda


Realização: 

GT Rio de Janeiro de História das Religiões e das Religiosidades 

da Associação Nacional de História

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Docentes

Profa. Adriana Gomes (UERJ)  Prof. José Henrique M. Oliveira (UFRJ). Prof. Marcelo Gulão (UERJ). Prof. Nicolas Theodoridis (UFRJ).
 
  

Publico Alvo:

O curso é aberto para o público em geral. Carga Horária: 16h
Quantidade de Vagas:35
 

sábado, 5 de setembro de 2015

ESPECIAL: A intolerância contra as religiões de matrizes africanas no Brasil

Em comemoração à Década Internacional de Afrodescendentes, documentário produzido pelo Centro de Informação da ONU para o Brasil (UNIC Rio) aborda as causas da intolerância religiosa e a riqueza da cultura afrodescendente no país.

Confira o vídeo clicando aqui


As religiões de matrizes africanas são parte da diversidade religiosa do Brasil. Entre algumas dessas manifestações, que têm como referência a cultura trazida pelos africanos durante mais de 300 anos de escravidão, estão catimbó, cabula e principalmente umbanda e candomblé, que se propagaram com mais intensidade pelo Brasil.
Desde sua chegada ao Brasil, os praticantes de religiões de matrizes africanas foram alvo de perseguições por manifestarem a sua fé. Mas ainda hoje, em 2015, os episódios de intolerância religiosa fazem parte do cotidiano. No contexto da Década Internacional de Afrodescendentes (2015-2024), a ONU destaca essas manifestações brasileiras e de forte ligação com a África.
Culto de Candomblé na Casa Pai Anderson de Oxaguiãn. Foto: UNIC Rio/Natalia da Luz
Culto de Candomblé na Casa Pai Anderson de Oxaguiãn. Foto: UNIC Rio/Natalia da Luz
“Eu costumo dizer que a África e o Brasil se casaram e tiveram dois filhos: candomblé e umbanda. O candomblé é uma religião de matriz africana, a sua origem está na África, sobretudo no sudoeste da África. É uma religião brasileira e que se constituiu não só com essa matriz, mas com o sincretismo a partir da relação com o cristianismo, com cultos e vivências indígenas. A umbanda tem outra forma de sincretizar além dessa construção africanista porque promove outras relações com o misticismo, valores ciganos, kardecistas e hinduístas”, explicou, em entrevista exclusiva ao Centro de Informação da ONU para o Brasil (UNIC Rio), o babalorixá Márcio de Jagun, ressaltando que, para os detratores, tanto os candomblecistas quanto os umbandistas são chamados de “macumbeiros”.
Apesar da influência africana desde o século XVI, o candomblé e a umbanda se consolidaram na sociedade brasileira nos últimos 200 anos, principalmente no início do século XX, quando o público pôde ter conhecimento das práticas a partir, por exemplo, das pesquisas de Pierre Verger, etnólogo francês e babalawo, que dedicou a maior parte de sua vida ao estudo da diáspora africana e ao comércio de escravos.
Essas práticas religiosas de matrizes africanas também fazem referência à comida, à música, aos tecidos e aos costumes não apenas dos escravos, mas dos colonizadores. Como exemplo deste sincretismo estão a indumentária e as louças que foram acrescentadas ao culto, como referência aos costumes portugueses.
Foto: UNIC Rio/Natalia da Luz
Foto: UNIC Rio/Natalia da Luz
“Após a Abolição da Escravatura e a Proclamação da República, vimos um movimento eugenista crescer no Brasil. A ideia era embranquecer o país, dar identidade europeia. Então, toda essa cultura afro foi criminalizada: o samba, a capoeira, a prática religiosa… Tudo era estigmatizado”, destaca, em entrevista ao UNIC Rio, o babalawo Ivanir dos Santos, acrescentando que a África está muito presente no seio da história e da construção da religiosidade, mas isso não recebe a importância que deveria.
Foto: UNIC Rio/Natalia da Luz
Foto: UNIC Rio/Natalia da Luz
Desafios para mensurar os praticantes
De acordo com o último censo, de 2010, menos de 1% da população brasileira pratica as religiões de matrizes africanas. Mas esse universo não condiz com a realidade, já que ele não expressa a quantidade de pessoas que, juntamente com outras religiões, frequentam os cultos de matriz afro. O documento do IBGE informa que há cerca de 407 mil praticantes da umbanda, 167 mil do candomblé e cerca de 14 mil de outras religiões de matrizes africanas.
“O ultimo censo mostrou a diversificação do campo religioso. O catolicismo, religião hegemônica, vem decrescendo, o que vem abrindo espaço para o crescimento dos neo-pentecostais. Já os afro-religiosos, representam menos de 1%. O que vários especialistas têm dito, e eu concordo, é que esse número está subestimado. Há que se fazer uma pesquisa mais cuidadosa de maneira a saber como isso pode ser perguntado para chegarmos mais perto da religiosidade brasileira. Antigamente, sabemos que em muitos terreiros, vários cultos eram realizados na igreja católica. Desta forma, deveria ser aceitável na declaração que a pessoa se identificasse com mais de uma religião”, diz a antropóloga Sonia Giacomini.
Foto: UNIC Rio/Natalia da Luz
Foto: UNIC Rio/Natalia da Luz
Ciente da demanda para estudar e divulgar o trabalho desenvolvido nas casas, uma pesquisa coordenada por Giacomin e desenvolvida pelo Núcleo Interdisciplinar de Reflexão e Memória Afrodescendente da PUC-Rio mapeou 847 terreiros do Rio de Janeiro. O resultado foi divulgado no livro “Presença do Axé: Mapeando terreiros no Rio de Janeiro”, que revelou também o mapa da intolerância religiosa.
“Grande parte das perguntas do estudo, que também foi desenvolvido pela pesquisadora Denise Pini, era sobre o funcionamento da casa. Além dessas questões, o conselho religioso resolveu que teria que ter uma outra bem importante: se a casa tinha sofrido algum episódio de discriminação. Como as respostas foram muito minuciosas, pudemos identificar quem eram os agressores, quem eram as vítimas e, desta forma, um mapa da intolerância.”
Acirramento da Intolerância Religiosa
Foto: UNIC Rio/Natalia da Luz
Foto: UNIC Rio/Natalia da Luz
Em junho, uma menina de 11 anos, praticante do candomblé, levou uma pedrada na cabeça, após saída do culto na Vila da Penha, Rio de Janeiro. A família registrou a ocorrência como lesão corporal e prática de discriminação religiosa.
Márcio, que é membro da Comissão de Combate à Intolerância Religiosa do Rio de Janeiro (CCIR-RJ), diz que não é concebível que alguns religiosos incitem a violência e que seus superiores sejam alheios a essa discussão. Eles precisam ser responsabilizados. O parágrafo VI do artigo 5º da Constituição brasileira diz que é inviolável a liberdade de consciência e de crença, sendo assegurado o livre exercício dos cultos religiosos e garantida, na forma da lei, a proteção aos locais de culto e a suas liturgias. A Lei Caó (Lei 7.716/89) considera crime a intolerância religiosa.
Foto: UNIC Rio/Natalia da Luz
Foto: UNIC Rio/Natalia da Luz
De acordo com a Secretaria Nacional de Direitos Humanos, foram registradas 39 queixas pelo Disque 100 apenas em 2013, o que deu ao estado do Rio o título de maior detentor das denúncias em todo o Brasil, mas o registro ainda é muito precário.
Márcio conta que a Secretária Nacional de Direitos Humanos contabilizou, até hoje, 500 casos de intolerância religiosa em toda a sua história. Esse número não condiz com o cenário atual, principalmente, porque muitos dos casos que deveriam ser registrados como intolerância religiosa são catalogados como briga de vizinho, injúria ou calúnia.
A intolerância religiosa está na história do Brasil desde a chegada dos portugueses, já que, nas primeiras missões, havia a clara intenção de converter os índios e os escravos ao catolicismo. Ao longo dos séculos, essa ideia parece ter sido perpetuada.
“As igrejas neo-pentecostais têm disputado espaço com os barracões, têm desejado ocupar o nosso espaço. Muitas vezes, elas se preocupam em comprar os nossos terreiros e, nos mesmos espaços, abrir os templos”, afirma Márcio, que também é presidente da Associação Nacional de Mídia Afro.
Foto: UNIC Rio/Natalia da Luz
Foto: UNIC Rio/Natalia da Luz
As igrejas neo-pentecostais congregam denominações oriundas do pentecostalismo clássico ou mesmo das igrejas cristãs tradicionais (como as batistas e metodistas). Elas surgiram aproximadamente 60 anos após o movimento pentecostal do início do século XX, em 1906.
Para Ivanir, existe uma disputa de mercado pelos fiéis, que cria uma demonização para que os praticantes de religiões afro se sintam envergonhados, o que se apresenta como um risco para a sociedade, não só para liberdade religiosa, mas para liberdade politica.
Fonte: ONU Brasil

quinta-feira, 27 de agosto de 2015

A RBHR divulga nova edição



v. 8, n. 22 (8)
RBHR (Maio/Agosto de 2015)

Sumário
ARTIGOS
Gizele Zanotto, Vanda Fortuna Serafim

Rodrigo Augusto Leão

Bertone de Oliveira Sousa

Marcos Gonzalez Souza

Leila Rodrigues da Silva, Juliana Salgado Raffaeli

Suely Cordeiro Almeida

Solange Ramos de Andrade, Daniel Lula Costa

Mariana Espinosa

Maria Goretti Cavalcante Carvalho

Cairo Mohamad Ibrahim Katrib

Lia Sipaúba Proença Brusadin

Rodrigo Pereira

João Miguel Teixeira Godoy

Ileana Hodge Limonta, Benita Expósito Álvarez
RESENHAS
José Reinaldo Felipe Martins Filho

Edison Lucas Fabricio


domingo, 23 de agosto de 2015

IV Simpósio do GT História das Religiões e Religiosidades/ANPUH – Regional Sul - Carta circular 05/2015

Caros colegas,

Cumprimentando-os cordialmente, encaminhamos a quinta circular do IV Simpósio do GT História das Religiões e Religiosidades/ANPUH – Regional Sul (Paraná, Santa Catarina e Rio Grande do Sul), para a qual solicitamos auxílio na divulgação. 
Nesta informamos que ocorreu uma alteração no cronograma geral do evento nos seguintes itens:

Inscrição de Comunicações
De 28/06/2015 a 30.08.2015
Avaliação das propostas de comunicação submetidas
De  31.08.2015 a 07.09.2015
Divulgação das Cartas de Aceite
11.09.2015

Maiores informações no site do encontro no seguinte endereço: http://www.gthrrsul.com.br.

Grande abraço a todos!
Comissão Organizadora

quarta-feira, 19 de agosto de 2015

GTHRR/RS divulgará trabalhos durante o I Colóquio Discente de Estudos Históricos Latino-Americanos



Com a intenção de possibilitar um espaço de diálogo entre os pesquisadores, tendo como foco os estudos históricos latino-americanos, o corpo discente do Programa de Pós-Graduação em História da Universidade do Vale do Rio dos Sinos decidiu criar o Colóquio Discente de Estudos Históricos Latino-Americanos. Conforme a ideia foi sendo gestada, pensou-se que seria importante abrir o espaço do encontro para acadêmicos de outras universidades, afim de fazer circular, dessa forma, o conhecimento e possibilitar um ambiente profícuo de debate entre diferentes perspectivas. É dessa forma que o corpo discente do PPGH/UNISINOS acredita que se constrói o conhecimento histórico: no debate, no diálogo, na divergência e na pluralidade.

domingo, 2 de agosto de 2015

III CONGRESSO INTERNACIONAL DE HISTÓRIA REGIONAL TERÁ ST DEDICADO ÀS CRENÇAS

III CONGRESSO INTERNACIONAL DE HISTÓRIA REGIONAL
06 a 08 de outubro de 2015 – UPF - Passo Fundo/RS

O Programa de Pós-Graduação em História da Universidade de Passo Fundo centra a análise e as investigações de seus docentes e discentes na História Regional. Região que enseja múltiplos recortes e abordagens, já que sempre compreendida nas suas articulações com o contexto maior e não limitada a esta ou aquela área geográfica. O PPGH/UPF entende história regional em um contexto complexo e abrangente, contribuindo assim para a superação da visão da história regional como mera fornecedora de subsídios que, somados resultariam em uma história nacional ou geral.
Em 2015, O Programa de Pós-Graduação em História da Universidade de Passo Fundo (UPF) está organizando de 6 a 7 de outubro desse ano o III Congresso Internacional de História Regional cujo tema será  Pensando Nações através de Regiões.



terça-feira, 30 de junho de 2015

Divulgada lista de STs do IV Simpósio do GT História das Religiões e Religiosidades/ANPUH – Regional Sul




 Carta circular 04/2015
Caros colegas,

Cumprimentando-os cordialmente, encaminhamos a quarta circular do IV Simpósio do GT História das Religiões e Religiosidades/ANPUH – Regional Sul (Paraná, Santa Catarina e Rio Grande do Sul), para a qual solicitamos auxílio na divulgação.

Nesta divulgamos a listagem dos simpósios temáticos aprovados, anexo. Também, informamos que estão abertas as inscrições para os proponentes de trabalhos nos respectivos simpósios, bem como, para as demais categorias de participantes.

Maiores informações no site do encontro no seguinte endereço: http://www.gthrrsul.com.br.
Grande abraço a todos!

Prof. Dr. Gerson Machado

Profª Drª Ilanil Coelho
Prof. MSc. Wilson de Oliveira Neto

LISTAGEM DE SIMPÓSIOS TEMÁTICOS APROVADOS

ST 01 - ARQUIVOS, FONTES ESCRITAS E RELIGIOSIDADES
Proponentes: Mauro Dillmann – FURG
Adriane Piovezan - FIES
Resumo:
Diversos estudos sobre práticas religiosas e expressões de devoção, institucionais ou leigas, para diversos períodos históricos, foram realizados a partir de pesquisas em fontes escritas – manuscritas ou impressas – localizadas em arquivos públicos, privados ou pessoais. Este Simpósio Temático tem por objetivo reunir pesquisas que abordem discursos, práticas, expressões, representações de religiosidade a partir de fontes escritas, enfocando e problematizando principalmente as relações da pesquisa histórica com os arquivos, ou tomando o próprio arquivo e/ou os documentos escritos – e seus discursos – como objeto de análise, a partir dos quais são construídas problemáticas de pesquisa considerando determinada evidência de religiosidade.
Palavras-chave: Arquivos; fonte escrita; religiosidade; pesquisa.

ST 02 - CULTURA E RELIGIOSIDADE: PROTESTANTISMOS CONTEMPORÂNEOS
Proponentes: Claiton Ivan Pommerening - Faculdade Refidim;
Joel Haroldo Baade - Universidade Alto Vale do Rio do Peixe - UNIARP
Resumo:
O ST Cultura e religiosidades: protestantismos contemporâneos constitui-se em espaço de divulgação e discussão de pesquisas concluídas e em andamento relacionadas aos protestantismos contemporâneos, especialmente os pentecostalismos e os luteranismos e suas relações e diálogos com outras religiosidades, com a sociedade, com a economia e especialmente com a cultura e o patrimônio cultural material e imaterial. As religiosidades são analisadas enquanto expressões culturais e sociais, constituindo elemento importante dos grupos humanos em que ocorrem e cada vez mais devem saber se inserir socialmente sem polarizações, fundamentalismos ou qualquer dicotomia, intolerância ou exclusão, levando a uma consensual patrimonialização da fé e de espaços sagrados. A expressão “protestantismos” é propositalmente empregada no plural para fazer jus à diversidade que é própria ao protestantismo. Nesse contexto, tanto o denominado pentecostalismo como o luteranismo não constituem denominações religiosas únicas e uniformes, mas são expressão de uma diversidade de denominações e movimentos religiosos, passados e presentes, que possuem elementos de unidade e também de divergência considerável em muitos casos. No ST, dar-se-á voz a esta pluralidade do ponto de vista histórico, antropológico, sociológico, cultural e também teológico com propósito de melhor compreensão dessas vertentes religiosas à luz do conhecimento interdisciplinar.
Palavras-chave: luteranismo; pentecostalismo; religiosidades; diálogo religioso.

ST 03 - TEOLOGIA E SOCIEDADE: O PROTESTANTISMO E A HISTÓRIA
Proponentes: Euler Renato Westphal – Universidade da Região de Joinville – Univille
Filipe Ferrari – Sociedade Educacional de Santa Catarina - Unisociesc
Resumo:
Dentro das perspectivas de entendimento da dinâmica das sociedades, é necessário pensarmos nas mais diversas estruturas, inclusive a imaterialidade. Esta pode ser observada pelas mais variadas manifestações materiais nas sociedades. Porém, qual a chave hermenêutica que podemos utilizar para conhecer o material? Quais os pressupostos imateriais cabíveis em tal análise? É fundamental a questão pelos pressupostos imateriais da produção de bens materiais. A memória, como expressão da imaterialidade passa por um processo complexo de ressignificações, já que segundo Gadamer, todo ser humano é determinado pela sua história e pelos seus pressupostos, que determinam a linguagem e a compreensão na comunicação humana, ocasionando assim uma relação intrínseca entre os processos imateriais e os materiais da cultura. Pensando as formas visíveis da cultura nos ateremos aos aspectos imateriais desta, sua visão de mundo e sua visão de vida. Essa discussão é importante na compreensão dos processos de construção cultural das sociedades, e seus reflexos na História. Max Weber ajuda a entender essas imbricações na História ao analisar a questão cultural e suas implicações éticas a partir da tradição protestante na Europa e nos Estados Unidos. Aqui, percebemos nos fluxos históricos os entrecruzamentos entre os patrimônios imaterial e material. Na obra de Weber, vemos que a cultura é fruto de uma teologia. Assim, as abordagens históricas podem abordar as expressões imateriais da cultura. Porém, o seu conteúdo espiritual não é chega a ser debatido profundamente, uma vez que a memória da cultura tange-se às materialidades não considerando de maneira consistente a memória em sentido mais amplo. Compreendemos que o conceito de memória que Le Goff apresenta nos ajudará a ampliar a relação desta com a História e também o entendimento da dimensão teológica de ambas. Pretendemos ver atrás das dinâmicas dessa cultura quais os referenciais e o mundo simbólico e os sistemas de símbolos significantes, que geraram as forças para essa concepção de cultura material e em que medida elas estão presentes na História.
Palavras-chave: Teologia; sociedade; memória; história.

ST 04 - RELIGIÕES E RELIGIOSIDADES AFRO-BRASILEIRAS: NARRATIVAS, IDENTIDADES E SUBJETIVIDADES
Proponentes: Gerson Machado – Univille / Museu Arqueológico de Sambaqui de Joinville
Elaine Cristina Machado – UFSC / Museu Nacional de Imigração e Colonização (Bolsista UNIEDU).
Resumo:
Este simpósio temático abre espaços para discussões que se apoiam em aspectos do fenômeno memorial da lembrança, tanto de indivíduos quanto de grupos, alicerçadas na experiência das religiões e religiosidades afro-brasileiras. Prioriza-se a ação do presente na construção dessas lembranças, tendo como fontes as narrativas diversas que organizam o tempo como marco referencial para a edificação de legitimidades diversas, vinculadas, por um lado, às autoridades e carismas, necessários à institucionalização das denominações religiosas e, por outro, às ações de singularização dos sujeitos. A proposição de tal Simpósio Temático parte do entendimento de que a historiografia contemporânea considera a importante ação das subjetividades nas organizações discursivas das identidades religiosas e vice-e-versa, num contexto em que as fronteiras caracterizam-se não mais pelas demarcações sólidas e sim pela fluidez e transitoriedades de modelos. Portanto, estes se reorganizam continuamente ao nível institucional, refletindo a ação criadora dos sujeitos, sem abrir mão, contudo, do reconhecimento das importantes intervenções de caráter pedagógico-regulatórias, nos corpos e comportamentos dos consumidores dessas narrativas.
Palavras-chave: religiões afro-brasileiras; memória, identidade, subjetividade; patrimônio cultural.

ST 05 - HISTÓRIA, PATRIMÔNIO CULTURAL E RELIGIOSIDADE
Proponentes: Ilanil Coelho – Universidade da Região de Joinville - Univille
Álisson Sousa Castro – Fundação Cultural de Brusque
Resumo
A visão antropológica de cultura disseminada a partir da década de 1980 contribuiu para a novas problematizações de espaços e práticas ligadas à religiosidade enquanto patrimônio cultural. Neste período, estes espaços e práticas vem sendo alvo de uma crescente atenção, sendo apropriados e significados com termos que pretendem legitimar e enfrentar a lógica moderna de superação do antigo pelo novo. Estas práticas, recorrentemente definidas como tradicionais, muito embora objeto do desejo de resgate por parte de sujeitos e grupos, tendem a ser reiteradas de acordo com as contingências contemporâneas, resultando deste processo questões que colocam em xeque o reconhecimento de bens culturais. Qual a implicação da espetacularização das/nas práticas tradicionais? De que forma o processo de secularização impacta nas práticas religiosas imbricadas no patrimônio cultural? Se os bens de natureza material e imaterial, tomados individualmente ou em conjunto, portadores de referência à identidade, à ação, à memória dos diferentes grupos formadores da sociedade brasileira constituem patrimônio cultural brasileiro e as contingências contemporâneas impactam em seu relacionamento com os bens, quais seriam os danos e possibilidades provocados pelo processo de secularização e espetacularização? O simpósio tem como objetivo debater com pesquisadores que estejam investigando as relações entre patrimônio cultural e religiosidade em uma perspectiva histórica e contemporânea.
Palavras-chave: Patrimônio; memória; religiosidade, espetáculo, tradição.

ST 06 - ALTERIDADES EM NARRATIVA: RELIGIÕES, CULTURA E COMUNICAÇÃO
Proponentes: Karina Kosicki Bellotti – Universidade Federal do Paraná / UFPR
Júlia Julia Rany Campos Uzun –Unicamp
Resumo:
Este Simpósio Temático contempla pesquisas que atentem para as relações entre identidades/alteridades, narrativas e comunicação. Partimos da História Cultural das Religiões como a abordagem das religiões e religiosidades a partir de conceitos concebidos no campo da História Cultural – em especial a relação entre representações, linguagens, identidades e alteridades na constituição das crenças e práticas religiosas, dentro e fora do âmbito de instituições religiosas, sem nos prendermos às análises denominacionais, mas às formas como determinados grupos leem e decodificam seus Outros. A abordagem escolhida analisa a confluência de diversos aspectos sociais, como o gênero, a nacionalidade, o binômio raça-etnia e a classe na construção das alteridades e identidades religiosas e historicizá-las, dialogando com os estudos interdisciplinares sobre Religião, Mídia e Cultura no que tange à mediatização da religião como elemento constituinte de identidades e de alteridades, no reforço de sentimentos e símbolos de pertença, na construção de discursos e representações do “Nós” em relação aos “Outros”, além da circulação de símbolos religiosos em contextos não institucionais – como na imprensa secular, no universo do entretenimento, no mercado religioso e secular. Mesmo em contextos históricos anteriores ao advento dos meios de comunicação modernos é possível abordar como narrativas religiosas são apresentadas para legitimar identidades, estabelecer fronteiras de comunidades religiosas e definir imaginários que levam à atuação social. Dentre exemplos de trabalhos que buscamos congregar em nosso simpósio estão: pesquisas sobre uso dos mais variados meios de comunicação por grupos religiosos (culturas impressas, visuais, audiovisuais, digitais) para instrução e para propaganda; articulação de símbolos e discursos religiosos em meios de comunicação seculares; além de construção de identidades de gênero, de etnia, de raça, de classe, de geração e de nacionalidade a partir de narrativas e imaginários religiosos, em diferentes recortes temporais.
Palavras-chave: Religiões; Comunicação; Alteridades; Identidades; Narrativas.

ST 07 - RELIGIÕES E RELIGIOSIDADES ORIENTAIS: REPRESENTAÇÕES, PRÁTICAS E CONFLUÊNCIAS
Proponentes: Richard Gonçalves André – Universidade Estadual de Londrina/UEL
Resumo:
O simpósio temático em questão tem por objetivo congregar pesquisadores de diferentes áreas e níveis acadêmicos que, utilizando de aportes teórico-metodológicos e fontes variadas, reflitam sobre as religiões e as religiosidades orientais, como as variadas formas do Budismo, Hinduísmo, Bramanismo, Confucionismo, Xintoísmo, Taoísmo, bem como dos novos movimentos religiosos que têm emergido nos últimos séculos, entre outras possibilidades. Tratam-se não apenas de representações e práticas de caráter sagrado construídas no interior de contextos históricos específicos, mas de repertórios religiosos que, num processo dinâmico que pode envolver conflitos e negociações, migram potencialmente para diferentes espaços e tempos, como o próprio Brasil. Esse trânsito remete, ao longo da história, a possíveis reconstruções e ressignificações desses fenômenos no interior de distintas sociedades, como é o caso de certos ramos do Budismo entre imigrantes e descendentes de japoneses em território brasileiro, que passaram a desenvolver práticas inexistentes no próprio Japão, o que constitui indício significativo no tocante à dinamicidade das religiões e religiosidades.
Palavras-chave: Religiões; Religiosidades; Oriente.

ST 08 - RISO E HUMOR NAS NARRATIVAS BÍBLICAS DO JUDAÍSMO E CRISTIANISMO
Proponentes: Salma Ferraz de Azevedo de Oliveira (UFSC)
Antonio Carlos Melo Magalhães (UEPB)
Resumo:
O Riso e o Humor nas Narrativas Bíblicas do Judaísmo e do Cristianismo e sua interface com a literatura Judaísmo e Cristianismo nascem e se expandem em forma literária, conhecendo diferentes estilos, temas, narrativas, negando, assim, a ideia de que religião vive somente em torno de doutrinas e dogmas. A existência da religião em forma literária significa também a existência de uma literatura em formas teológicas de grande criatividade e heterodoxia, sendo uma de suas expressões o riso e o humor. Os deuses riem e as tradições fizeram do riso e do humor dois dos seus mais importantes artifícios e recursos, e isso com consequências profundas para a forma como a divindade é interpretada pelos seus seguidores. Não somente os deuses riem, mas seus seguidores riem deles e riem de si mesmos, escrevendo, dessa forma, páginas muitas vezes esquecidas pela crítica literária e pelos estudos da religião. A proposta do simpósio é reunir trabalhos que tratem desse tema tão presente nas narrativas e ainda tão pouco contemplado pela crítica literária e pelos estudos da religião. O riso e o humor não são somente fugas, mas são formas de constituir uma visão de mundo, de concepção da divindade e da própria fé, lembrando que, muitas vezes, só os que riem são capazes de produzir a revolução e imaginar mundos novos. Este pode ser um dos motivos para que as tradições acolham e cultivem o humor, para que possam preservar pedagogias que as transformem e que as façam sair de seus sedentarismos autoritários. O riso aparece muito frequentemente no texto literário associado a uma função didática e crítica, cumprindo a célebre máxima latina: “Ridendo castigat mores” (É com o riso que se corrigem os costumes).
Palavras-chave: Teologia; Literatura; Judaismo; Cristianismo; humor

ST 09 - PATRIMÔNIO IMATERIAL, RELIGIOSIDADE E CULTURA POPULAR: TENSÕES
Proponentes: Sérgio Luiz Ferreira – UFSC
Resumo:
O presente Seminário Temático pretende reunir pesquisadores para discutir as relações entre patrimônio imaterial, tombamento de patrimônio cultural e as manifestações da religiosidade e da cultura popular bem como as tensões existentes entre Estado, comunidades e hierarquias religiosas. A legislação sobre patrimônio imaterial é relativamente recente. No Brasil a Constituição Federal de 1988 em seu artigo 216 estabelece que “constituem patrimônio cultural brasileiro os bens de natureza material e imaterial.” O Brasil foi um dos primeiros países a instituir o Registro de Bens Culturais de Natureza Imaterial que constituem patrimônio cultural brasileiro, através do Decreto Presidencial nº 3.551/2000. A Salvaguarda do Patrimônio Cultural Imaterial foi adotada pelos países membros da UNESCO através da Convenção para a Salvaguarda do Patrimônio Cultural Imaterial, adotada em Paris, em 17 de outubro de 2003, e assinada em 3 de novembro de 2003. Em 12 de abril de 2006, o Decreto federal 5.753/2006 promulgou a Convenção para a Salvaguarda do Patrimônio Cultural Imaterial, adotada em Paris. A partir do decreto presidencial, os estados da federação foram estabelecendo as suas legislações. Santa Catarina o fez através do Decreto No 2.504, de 29 de setembro de 2004, e o Rio Grande do Sul estabeleceu legislação sobre o patrimônio imaterial através da lei nº 13.678/2011. Em decorrência dos decretos federal e estadual que protegem e tombam o Patrimônio Cultural Imaterial, os municípios também criaram leis para registros dos bens imateriais. Sendo a legislação sobre registro de patrimônio imaterial e intangível relativamente recente, poucas manifestações foram registradas até a presente data no Brasil. Todas as manifestações registradas no livro das celebrações são expressões da religiosidade popular. Este fato nos alerta para a necessidade de refletir sobre essas relações, sobretudo pelo fato de que as hierarquias religiosas há alguns séculos tentam “enquadrar”, “purificar” e “ajustar” a religiosidade popular à ortodoxia eclesiástica. As dinâmicas da religiosidade e da cultura popular muitas vezes acabam confrontando e gerando tensões com as hierarquias religiosas. Da mesma forma, essas dinâmicas acabam tornando essas manifestações fluidas e difíceis de serem enquadradas e registradas pelo poder público. É urgente refletir e teorizar sobre essas relações entre patrimônio imaterial, religiosidade popular e cultura popular e as tensões que acabam ocorrendo com as hierarquias eclesiásticas e o poder público, sobretudo nas ações de salvaguarda e registro dos bens de natureza cultural imaterial e intangível.
Palavras-chave: Patrimônio Imaterial; Religiosidade Popular; Cultura Popular; Estado; Hierarquia

ST 10 - CRENÇAS, DISCURSOS E PRÁTICAS RELIGIOSAS
Proponentes:. Solange Ramos de Andrade – PPH/UEM
Vanda Fortuna Serafim – PPH/UEM
Resumo:
Este ST tem como principal objetivo analisar das diversas manifestações religiosas, buscando refletir acerca de suas relações com os discursos que as compõem e dos processos nos quais os diversos grupos religiosos produzem e/ou reproduzem seus discursos e normalizam suas práticas em diferentes espaços - religiosos ou não. Atentar às crenças religiosas exige um aparato conceitual, teórico e metodológico que permita lidar as inerências e singularidades de cada objeto. Nesse sentindo, o ST preza pelo diálogo transdisciplinar com o intuito de contemplar os diversos enfoques que se lançam sobre os discursos e/ou práticas religiosas, não apenas da religião e seus desdobramentos, mas da experiência religiosa como construção de conhecimento enquanto a religião se apresenta como ordem do mundo.
Palavras-chave: Crenças; Discursos, Práticas; Religiosidades; Transdisciplinaridade.